Cultivando o sonho de cantar desde a infância, já compunha desde essa época suas primeiras canções. Aos 21 anos, havia acabado de ficar viúva, e estava com quatro filhos para criar, tendo já perdido dois filhos recém nascidos para a desnutrição alguns anos antes, e uma filha havia sido sequestrada havia um ano. Nesta época, estava trabalhando como faxineira para sustentá-los, e ainda precisava comprar remédios para o seu filho de dois anos, que estava com pneumonia. Temendo a morte de mais um filho, sozinha e sem expectativa de uma vida melhor, vislumbrando seu sonho artístico cada vez mais longe e inacessível, resolveu lutar por seu filho e não desistir.

Elza, se inscreveu no concurso musical do programa radiofônico Calouros em Desfile, em meados de 1953, que era apresentado pelo compositor Ary Barroso. Para a apresentação, usou um vestido da mãe, aproximadamente vinte quilos mais gorda, ajustado com vários alfinetes de fralda, fazendo um penteado de maria-chiquinha no cabelo.

Quando Elza subiu ao palco, foi recebida pelo auditório e por Ary Barroso, com gargalhadas. Ary tentou ridicularizar Elza perguntando-lhe:

De que planeta você veio, minha filha? E Elza rebateu:
Do mesmo planeta que o senhor, Seu Ary. Do planeta fome.

Depois, Elza cantou “Lama”, de Paulo Marques e Aylce Chaves, e ganhou a nota máxima do programa. Ary, então, anunciou que, naquele exato momento, acabava de nascer uma estrela. Então, se inscreveu no concurso de música do programa de Ary Barroso, na Rádio Tupi, e fez sua primeira apresentação ao vivo no auditório da emissora, a maior na época. A princípio não foi levada a sério, por conta de seu jeito bem humilde de falar e se vestir.
Ganhou um pouco de dinheiro pela participação, e o utilizou para comprar os remédios do filho, que ficou bem.

Sua participação bem-sucedida no programa de Ary Barroso não se traduziu em oportunidades de trabalho, inicialmente. Até que um dia seu irmão Ino a desafiou a fazer um teste para a orquestra de seu professor. Com uma interpretação de “Lamento”, conquistou uma vaga no conjunto.

Elza passou a acompanhar o grupo em apresentações em festas, bailes, casamentos e eventos sociais em geral. Nem sempre ela se apresentava, contudo, pois alguns clubes não admitiam uma cantora negra no palco.

Em 1960 conseguiu realizar seu sonho de trabalhar somente com a música, quando surgiu um concurso na rádio, tendo que cantar as músicas escolhidas por eles e, como foi a vencedora, ganhou uma oportunidade de trabalho, assinando um contrato e cantando semanalmente. Com o tempo, acabou sendo convidada para aparecer na TV, e nesse mesmo ano fez sua primeira turnê internacional, e percorreu os países da América do Sul, América do Norte e Europa.

Elza publicou em 1969 um livro intitulado Minha vida com Mané, onde conta detalhes da história de amor que viveu com Garrincha.

Biografia autorizada de Elza Soares

O jornalista Zeca Camargo é o autor da biografia Elza, lançada em 2018, que foi concebida a partir de 40 horas de depoimentos e com a autorização da cantora.

Elza Soares

Essa não foi a primeira biografia a contar a história de Elza Soares. Em 1997 foi publicado o livro Cantando Para Não Enlouquecer, de José Louzeiro.

Documentário sobre Elza Soares

A diretora Elizabete Martins Campos lançou em 2018 o documentário My Name is Now, onde narra a história da cantora.

Em 20 de janeiro de 2022,  Elza Soares faleceu de causas naturais, em sua casa, aos 91 anos de idade. Seu corpo foi velado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em cerimônia aberta ao público. O sepultamento ocorreu no Cemitério Parque Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio.

O canal FACHA no Youtube  WEB TV FACHA apresenta a biografia de Elza Soares, cantora e compositora brasileira de samba, bossa nova, MPB… Ela se tornou um símbolo do samba! Assista:

 

 

 

Fonte: Wikipedia, Web TV Facha, e-biografia