Spotify começou a apagar as músicas de Neil Young após o artista publicar um ultimatopara que a plataforma escolhesse entre ele ou Joe Rogan, podcaster acusado de espalhar desinformação sobre a covid-19. O lendário músico por trás de sucessos como Heart of Gold Harvest Moon publicou uma carta aberta nesta semana acusando a plataforma de streaming de “propagar informações falsas sobre vacinas, potencialmente causando a morte daqueles que acreditam”, ao disponibilizar os podcasts de Rogan para milhões de ouvintes.

Na quarta-feira (26), ele postou uma segunda mensagem em seu site, agradecendo à gravadora Reprise Records, da Warner, por seu apoio “em nome da verdade”. No texto, afirma que o Spotify gera 60% de sua renda musical.

Ainda assim, o músico pensa que o boicote vale a pena. “Mentiras são vendidas por dinheiro”, escreveu. “Percebi que não poderia continuar apoiando a desinformação do Spotify, que representa um risco à saúde entre os amantes da música”, acrescentou.

A remoção da discografia de Young começou na noite de quarta. Ele tinha na plataforma 2,4 milhões de seguidores e mais de 6 milhões de ouvintes mensais.

Rogan tem um acordo exclusivo de vários anos com o Spotify, no valor de 100 milhões de dólares, segundo relatos, além de um enorme número de seguidores. Críticos dizem que seu podcast é um foco de teorias da conspiração e informações falsas, em especial sobre a pandemia. O apresentador desencoraja jovens a se vacinarem e defende o uso de Ivermectina para tratar o vírus.

Em um comunicado, a empresa declarou na quarta-feira que “todos queremos que todo o conteúdo de música e áudio do mundo esteja disponível para os usuários do Spotify. Com isso, vem a grande responsabilidade de equilibrar a segurança para os ouvintes e a liberdade para os criadores”.

O serviço de streaming apontou ainda que tem “políticas de conteúdo detalhadas” e já removeu “mais de 20 mil episódios de podcast relacionados à covid desde o início da pandemia”. Por fim, lamentou a decisão de Young e disse que “espera recebê-lo de volta em breve”.

Fonte: GZH