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Ruy Jobim Podcast · Episódio 30

Personagem ou não?

27 de maio de 2021 · 5 min · com Ruy Jobim

Com a comunicação menos sóbria e mais natural a figura "personagem" saiu de cena, mas talvez não seja bem assim. Mesmo com a naturalidade ainda existe um percentual "personagem" dentro de cada um de nós. Até no áudio do WhatsApp. Ouça e se inscreva

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Personagem ou não?

Ruy Jobim Podcast

Personagem ou não?

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📝 Notas do episódio

Em pouco mais de seis minutos, Ruy Jobim provoca uma das discussões mais antigas — e mais mal resolvidas — da comunicação falada: existe "personagem" no microfone? A resposta curta seria não. A locução sóbria, engessada, de voz impostada e dicção catedrática perdeu espaço para um jeito mais natural de falar, herdeiro da conversa de bar e do papo de mesa de cozinha. Mas Ruy desconfia da resposta curta. Para ele, mesmo quando o comunicador jura que está sendo "ele mesmo", há sempre um percentual de construção, de filtro, de edição em tempo real do que sai pela boca.

O episódio puxa essa fio até onde dói: o áudio de WhatsApp. Aquele recado aparentemente espontâneo que a gente grava, ouve, apaga, regrava, corta e só então manda — ali já mora um personagem. Ruy mostra que personagem não é fantasia, peruca ou voz de trovão; é a versão de você que você escolhe entregar para um determinado ouvinte, em um determinado contexto. O rádio só explicitou esse mecanismo que todo mundo usa o tempo todo, inclusive fora do estúdio.

Vale ouvir porque é uma aula curta de autoconsciência para quem comunica — locutor, podcaster, professor, vendedor, criador de conteúdo. Ruy não defende voltar ao locutor caricato dos anos 1970, nem entrega o microfone para a pretensa "naturalidade total". Ele propõe um meio-termo honesto: assumir que comunicar é sempre, em alguma medida, interpretar — e que reconhecer o personagem é o primeiro passo para usá-lo a favor da mensagem, em vez de fingir que ele não existe.

Destaques

  • Revisitar a ideia de que o "personagem" do rádio sumiu com a comunicação mais natural
  • Mostrar que naturalidade no microfone também é uma construção
  • Defender que existe um percentual de personagem em todo comunicador
  • Usar o áudio de WhatsApp como prova cotidiana de que todo mundo edita a própria voz
  • Diferenciar locução caricata de presença autoral consciente
  • Propor que assumir o personagem é mais honesto do que negá-lo

O que você leva desse episódio

  • Você termina o episódio entendendo que falar bem ao microfone não é deixar de ser personagem, é escolher qual personagem entrega
  • Aqui você aprende a identificar o seu próprio filtro de comunicação — aquele que aparece até no áudio de WhatsApp
  • Você leva uma régua nova para avaliar locutores, podcasters e criadores: quanto de construção há por trás da suposta espontaneidade
  • Você sai com uma pergunta prática para o seu próprio microfone: que versão de mim está falando agora?
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