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Jovem surda viraliza ao contar como é ouvir música pela primeira vez

Jovem descobrindo sons pela primeira vez através de implante coclear

Com implante coclear há três semanas, Isabela descobre os sons pela primeira vez de forma bem realista. Sua jornada desmente a narrativa dos vídeos virais: educação auditiva é um longo processo de aprendizado.

Isabela fez o implante coclear há três semanas e compartilha detalhes sobre o processo de educação auditiva; surpreendendo alguns seguidores, ela não conseguiu gostar de recomendações populares como Pink Floyd

A jovem Isabela, dona da conta ‘a surda que ouve’ no Twitter fez uma postagem que viralizou na noite de quarta-feira (2/3). É que ela colocou um implante coclear, um tipo de aparelho auditivo para quem tem perda severa, há três semanas. Agora, Isabela começa a aprender a conhecer o mundo pelos sons e pediu ajuda para montar uma playlist enquanto compartilha suas primeiras impressões com o hábito de ouvir música.

Logo no começo, ela explica que já nasceu com a perda severa de audição, o que faz com que sua familiaridade com o ato de ouvir coisas seja muito próxima à de um bebê recém-nascido. Na postagem, a moça também brinca com o fato de o registro da primeira vez em que ouviu uma música ser, digamos, diferente de outros virais de pessoas surdas.

“Alguns de vocês já viram surdos ouvirem pela 1ª vez e geralmente são vídeos bonitinhos dando a ideia de que pros surdos ouvir som pela primeira vez é algo incrível para eles. Minha reação tosca mostra a realidade”, escreveu. No vídeo que acompanha esta legenda Isabela dá um pulinho na cadeira e faz careta assim que o som é liberado no fone de ouvido. A pessoa do outro lado da câmera pergunta “muito alto?” e ela acena que sim.

Educando os ouvidos

Outra coisa importante que Isabela contou ao longo do fio na rede social, é que, para ela, ainda não é possível distinguir muitas características dos sons. Ela não consegue, nem mesmo, entender o que os cantores dizem nas letras. “Única coisa da voz é que consigo ver se é grave ou aguda, saber o que de fato está cantando ainda não”, explica.

Esse é um dos pontos que ela usa para contar porque não pode fazer os famosos vídeos de react, categoria popular no YouTube e outras plataformas em que alguém reage ao conteúdo em frente às câmeras. Mas, o mais surpreendente, é que ela foi listando as músicas que ouviu, de acordo com as sugestões dos seguidores, e conseguiu entender o que a agrada ou não até agora.

Começando por músicas clássicas, as músicas não fizeram muito sucesso. “Se for para ouvir música (erudita) que tenha violoncelo e etc”, comenta listando uma das poucas que agradaram. O vídeo é de um músico interpretando o prelúdio de uma das famosas suítes de Bach.

Em seguida, a maior surpresa para os seguidores. “Sinto decepcionar alguns de vocês, mas Pink Floyd NÃO DÁ”, a jovem avisou. Para ela, um dos problemas é o excesso de sibilância — chiado agudo, semelhante a um assobio — nas composições. Foi a mesma impressão em uma das mais famosas do Queen, Bohemian Rapisod.

Dentre as indicações que a moça gostou, estão David Boe, Michel Jackson e alguns hits country. Além, é claro, do brasileiríssimo pagode. “Deu vontade de dançar e beber”, comentou.

No fim, Isabela contou que pediu ajuda a um amigo musicista para entender melhor o padrão de músicas que a agradaram ou não. Ele explicou que a maioria dos singles que tiveram uma reação negativa têm o que comumente se conhece como “som sujo”. Guitarras distorcidas são um exemplo. “Talvez seu cérebro interprete esse ruído de uma maneira muito incômoda”, arriscou.

Isabela frisou que a explicação a ajudou a entender que, no futuro, ela possa começar a gostar sons que não foram muito agradáveis agora. Muitos seguidores se juntaram à garota para explicar como o fenômeno de educação do ouvido acontece. “O apego sentimental, cultural e histórico que você tem com as músicas ela vai construir com o tempo. E, do mesmo jeito que aprendemos a ler, ela está aprendendo a escutar”, resumiu uma das contas.

Até o meio dia desta quinta-feira (3/3), a publicação já tinha alcançado mais de 20 mil curtidas e cerca de mil comentários, a maioria felicitando Isabela e agradecendo a ideia que ela teve de compartilhar sua experiência como uma nova ouvinte.

[VIDEO]

Fonte: Correio Braziliense

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